Refletindo sobre a derrota do Brasil

 

 

Taça do Desespero

Por Elisa Cristina Castro

Estava assistindo o jogo com amigos e foi reflexivo observar o misto de choque, tristeza e frustração com a derrota do Brasil. Eu, como todos que me conhecem, com a eterna alma de jornalista aposentada, me recolho na escrita.

Ao longo dos meus 50 anos, vi o Brasil perder por muitas vezes, mas acho que essa foi a maior derrota. Meu primeiro pensamento foi, a partir de agora começam os julgamentos: a seleção não tinha time, faltava esquema tático, os caras ganham demais e não tem garra, a culpa é do Fred, e assim por diante. Me deu até frio na barriga.

Acho que nada disso. Ouvi um narrador falar em tragédia. Tragédia para mim é a queda do viaduto da Pampulha, os desabrigados no Rio Grande do Sul, a falta de dinheiro para a saúde, os dependentes de crack que morrem sem os cuidados devidos, José Dirceu sair da prisão enquanto estamos preocupados com a vértebra do Neymar ou se a Marquezine dormiu com ele ou não, a impunidade dos nossos governantes. Tragédia é a politica do pão e circo. Tragédia é precisar de uma válvula de escape para não confrontar com a nossa dor. ” O brasileiro precisa dessa alegria” .

Ouvi outro dizer que o ” futebol brasileiro tem que repensar muita coisa, a partir essa derrota. Não acho que seja o futebol brasileiro que tenha que repensar, mas o Brasil. Aonde estamos colocando o nosso interesse e nossa atenção.

Se tivéssemos perdido de 2×1, iríamos justificar. Puxa, faltou o Neymar. Lutamos! A única forma de sacudirmos foi com essa ” tragédia”. Não é só de futebol que vive o Brasil, precisamos legitimar outros esportes. Temos muitos talentos que não reverenciamos. Me parece tão pouco, nos intitularmos como a pátria de chuteiras.

Somos uma nação de gente inteligente, receptiva, criativa, amiga, somos um País potencialmente cheio de riquezas. O brasileiro é uma riqueza.

Mas, primeiro, temos que honrar o nosso adversário. A Alemanha é um país nobre , organizado, forte, disciplinado e talentoso. Que ressurgiu de duas guerras, tem todo o território plantado e aproveitado, campeã em sustentabilidade, economia estável e GOVERNO RESPEITÁVEL, etc, etc, etc e não me venham falar em nazismo! Vamos aprender com os caras. Sobrou gol e HUMILDADE. Sobrou de quem tem uma história de dor, arrependimento e superação!

Tudo bem ter o luto, a decepção, a tristeza, mas com o devido tempo, vamos ressurgir das cinzas . Vamos nos reinventar. Aprender com o nosso adversário. Gente, o que precisamos aprender? Precisamos aprender que para alcançar um objetivo, temos que trabalhar com disciplina e paciência. Chega do jeitinho brasileiro. Chega de bolsa família e de querer levar vantagem em tudo. Fazer limpo. Não precisamos destruir caixas de bancos, queimar ônibus, praticar violência. É só acreditarmos que somos muito mais do que acreditamos.

Não vamos nos esquecer que a Copa está linda. Nós não só somos o futebol, demos um banho de confraternização, amizade, respeito e solidariedade. Fomos considerados os melhores anfitriões. Isso também é virtude. Já pensaram se juntarmos as nossas qualidades com as dos caras!

A derrota vai ficar na história, mas podemos escolher como queremos ser reconhecidos. Como o povo que perdeu dentro de casa de 7 e ficou tentando arranjar um culpado e justificativas ou como o povo que levantou a cabeça, honrou seus jogadores, reconheceu a derrota sem vergonha ,desdém ou reatividade e aprendeu com isso. Humildade Brasil.

Elisa Cristina Castro é Cidadã brasileira.

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