O Crepúsculo dos Deuses

Themis violad

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Carlos Maurício Mantiqueira

 

Qualquer melhoria institucional deve, obrigatoriamente, começar pela reforma do judiciário.

Desde os tempos coloniais, aperfeiçoa seus vícios.

Subserviência ao poderoso do dia, medo de perder seus privilégios, sensação de intocabilidade, descompromisso com as consequências de seus erros, ocultação de suas fraquezas pelo espírito de corpo, nepotismo, etc.

O deboche de seus “cardeais” chega ao ponto de exigir que pobres cartorários(as) façam uma “vaquinha” para lhes comprar um presente de valor quando de uma visita desses pavões às suas unidades.

Uns contratam como assistentes as amantes dos outros para salvar as aparências ingênuos que pensam estar a salvo da espionagem e registro de suas façanhas que serão usadas em futuras chantagens.

 

Admitir em seus quadros homens e mulheres jovens é incentivar a arrogância e o subterfúgio ao cumprimento de suas funções. Falta-lhes tempo para conciliar a vida amorosa, a educação de filhos pequenos, a ambição consumista, o desejo de viajar e a exibição de seu “status”.

 

Uma república decente deve ter juízes sorteados entre advogados com mais de cinquenta anos de idade e dez de profissão, para um único mandato de cinco anos, com remuneração avultada (para afastar o risco de corrupção) e demissíveis por um Conselho de Estado, caso julguem contra a letra da Lei.

 

Legitimidade, já! Só é Legítimo o que favorece, ao mesmo tempo, o interesse público e os direitos individuais. Os “Deuses” sabem disto…

 

 

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Refletindo sobre a derrota do Brasil

 

 

Taça do Desespero

Por Elisa Cristina Castro

Estava assistindo o jogo com amigos e foi reflexivo observar o misto de choque, tristeza e frustração com a derrota do Brasil. Eu, como todos que me conhecem, com a eterna alma de jornalista aposentada, me recolho na escrita.

Ao longo dos meus 50 anos, vi o Brasil perder por muitas vezes, mas acho que essa foi a maior derrota. Meu primeiro pensamento foi, a partir de agora começam os julgamentos: a seleção não tinha time, faltava esquema tático, os caras ganham demais e não tem garra, a culpa é do Fred, e assim por diante. Me deu até frio na barriga.

Acho que nada disso. Ouvi um narrador falar em tragédia. Tragédia para mim é a queda do viaduto da Pampulha, os desabrigados no Rio Grande do Sul, a falta de dinheiro para a saúde, os dependentes de crack que morrem sem os cuidados devidos, José Dirceu sair da prisão enquanto estamos preocupados com a vértebra do Neymar ou se a Marquezine dormiu com ele ou não, a impunidade dos nossos governantes. Tragédia é a politica do pão e circo. Tragédia é precisar de uma válvula de escape para não confrontar com a nossa dor. ” O brasileiro precisa dessa alegria” .

Ouvi outro dizer que o ” futebol brasileiro tem que repensar muita coisa, a partir essa derrota. Não acho que seja o futebol brasileiro que tenha que repensar, mas o Brasil. Aonde estamos colocando o nosso interesse e nossa atenção.

Se tivéssemos perdido de 2×1, iríamos justificar. Puxa, faltou o Neymar. Lutamos! A única forma de sacudirmos foi com essa ” tragédia”. Não é só de futebol que vive o Brasil, precisamos legitimar outros esportes. Temos muitos talentos que não reverenciamos. Me parece tão pouco, nos intitularmos como a pátria de chuteiras.

Somos uma nação de gente inteligente, receptiva, criativa, amiga, somos um País potencialmente cheio de riquezas. O brasileiro é uma riqueza.

Mas, primeiro, temos que honrar o nosso adversário. A Alemanha é um país nobre , organizado, forte, disciplinado e talentoso. Que ressurgiu de duas guerras, tem todo o território plantado e aproveitado, campeã em sustentabilidade, economia estável e GOVERNO RESPEITÁVEL, etc, etc, etc e não me venham falar em nazismo! Vamos aprender com os caras. Sobrou gol e HUMILDADE. Sobrou de quem tem uma história de dor, arrependimento e superação!

Tudo bem ter o luto, a decepção, a tristeza, mas com o devido tempo, vamos ressurgir das cinzas . Vamos nos reinventar. Aprender com o nosso adversário. Gente, o que precisamos aprender? Precisamos aprender que para alcançar um objetivo, temos que trabalhar com disciplina e paciência. Chega do jeitinho brasileiro. Chega de bolsa família e de querer levar vantagem em tudo. Fazer limpo. Não precisamos destruir caixas de bancos, queimar ônibus, praticar violência. É só acreditarmos que somos muito mais do que acreditamos.

Não vamos nos esquecer que a Copa está linda. Nós não só somos o futebol, demos um banho de confraternização, amizade, respeito e solidariedade. Fomos considerados os melhores anfitriões. Isso também é virtude. Já pensaram se juntarmos as nossas qualidades com as dos caras!

A derrota vai ficar na história, mas podemos escolher como queremos ser reconhecidos. Como o povo que perdeu dentro de casa de 7 e ficou tentando arranjar um culpado e justificativas ou como o povo que levantou a cabeça, honrou seus jogadores, reconheceu a derrota sem vergonha ,desdém ou reatividade e aprendeu com isso. Humildade Brasil.

Elisa Cristina Castro é Cidadã brasileira.